sexta-feira, dezembro 09, 2005

Emergência Pré-hospitalar está podre!

A emergência pré-hospitalar em Portugal é escassa, apenas quem está dentro dela se consegue aperceber das lacunas existentes.

Após um pedido de ajuda, a ambulância acaba sempre por chegar, mas muitas das vezes chegam apenas com dois tripulantes (como é o caso das ambulâncias do INEM, tripuladas por “técnicos” deles).
Para colocar em prática certas técnicas de emergência médica são necessários três tripulantes, isto acontece apenas nos bombeiros, quando existe pessoal voluntário e disponível.

Será que as pessoas não têm direito a ser socorridas dignamente e por pessoas qualificadas?

Está na altura de o governo, olhar por nós, criar carreiras nomeadamente a de paramédicos, nós portugueses merecemos ter um socorro digno. Não nos podemos iludir com a imagem colorida do INEM.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Feliz Natal aos Bombeiros!

A todos os Bombeiros, aos seus familiares e a todos quantos, de forma directa ou indirecta se relacionam com este Blog, endereço votos de um Feliz Natal e de um próspero Ano Novo!

Espero também que cada um receba a prendinha desejada ! :D

quarta-feira, dezembro 07, 2005

A floresta que é nossa...

Grande parte da mancha florestal no nosso distrito encontra-se ao abandono. A quantidade de pequenas propriedades rurais abunda. Os donos muitas vezes herdam estas pequenas propriedades e não sabem o que fazer delas, deixando-as anos a fio ao abandono, crescendo assim livremente o “mato bravo”.
Actualmente fica caro trabalhar nas terras, até porque a mão de obra para tal fim não é frequente e tende a sumir-se.

Este desleixo por parte dos proprietários provoca um crescimento incontrolado de mato, provocando continuidades muito grandes, o que nos dificulta e muito os trabalhos de extinção uma vez que o incêndio se vai propagar livremente, consumindo combustível inacessível para nós.
Não existem quem fiscalize, não existe uma politica de reflorestamento rígida, é necessário criar aceiros, é necessário quebrar grandes continuidades de pinhal intercalando-as por exemplo com castanheiros ou cerejeiras. É necessário abrir caminhos e actualizar cartas militares.

É triste ter que dizer que o Estado é o pior exemplo, uma vez que não conserva nem preserva uma floresta que é sua. Não vejo as autarquias interessadas em prevenção, só os vejo depois de uma desgraça de Verão.

A floresta é um maravilhoso recurso natural, excelente regulador de clima e ambiente. Cuidar dela é interesse de todos, somos todos inferiores a ela!
Remediar não chega, é necessário adoptar rígidas políticas florestais, senão estamos a lutar contra uma força desigual. É necessário tomar medidas preventivas, seccionar grandes e incontroláveis manchas florestais.

Podemos ter muitos meios, mas no Verão, com as temperaturas e humidades que temos vindo a ter senão houver descontinuidades, não vamos conseguir lutar.

Temos que mudar, estamos em Dezembro o calor está quase chegar!

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Vêm ai os meios aéreos permanentes!

Existem necessidades para além dos três meses de duração dos contractos dos meios aéreos, estes podem, evidentemente, ser utilizados em outras missões de socorro e assistência aos cidadãos e missões das forças de segurança. Também é verdade que os custos com o aluguer de meios têm vindo a aumentar de ano para ano, tornando o estado dependente do jogo dos concorrentes.
Foram estes os argumentos apresentados pelo Sr. Ministro, António Costa. Até aqui tudo bem!

Foi constituída uma comissão especial composta por representantes do Ministério da Agricultura e da Força Aérea, do INAC, do SNBPC e pilotos com uma longa experiência em incêndios florestais e, portanto, especialistas na matéria.
Esta Comissão Especial propôs, que devíamos ter permanentemente, quatro aviões pesados anfíbios, seis helicópteros médios e ainda quatro helicópteros ligeiros.
Aos helicópteros parece caber assegurar o transportes das Brigadas Helitransportadas para incêndios nascentes, permitindo assim a sua rápida deslocação, sendo mesmo deslocadas para outros TO quando rendidas por equipas terrestres.
Cabe também a estes e visto que vão ficar em permanência, assegurar as missões de resgate e salvamento em TO`s, e podem vir também a ser utilizados para coordenação aérea.

Foi então aberto um concurso, no dia 30 de Novembro, e vamos ter fumo branco lá para Março ou Abril de próximo ano.

Apetece-me dizer que, não é só com armas que se vencem as guerras… Podemos ter bons meios aéreos, mas se não tivermos bons coordenadores aéreos (e não comandantes sem formação à procura de trocos) e boas brigadas helitransportadas e com formação continua nunca chegamos a lado nenhum.
Por aquilo que sei, as brigadas heli do SNBPC têm andado um pouco esquecidas, fizeram o curso na ENB da Lousã e ficaram por ai… Não há treinos, não há manutenção física, enfim, não há ninguém para repor a ordem nem para impor um reaproveitamento.

Na minha modesta opinião, estas brigadas deveriam, e visto que vamos ter meios aéreos permanentes, fazer formação em diversas áreas, como por exemplo, em Salvamento e Desencarceramento, em Recuperação aérea, em topografia, sei lá…
Muni-las de forma a termos ali uma força preparada para situações extremas.

Relativamente aos Coordenadores Aéreos, tinha aqui muito para desabafar… Vou apenas dizer que os melhores não são os amigos do CODIS, à procura de trocos… Precisamos de Comandantes com formação especifica na área.. Se temos bombeiros com formação para as brigadas, porque não contratar também Comandantes com a devida formação? Não se ia aqui poupar muito dinheiro?

domingo, dezembro 04, 2005

Os Srs. Guardas Bombeiros.

Prepara-se o Governo do Eng. Sócrates para criar um grupo de intervenção para a prevenção e socorro no seio da GNR, que ao que parece e segundo o competente Ministro António Costa, irá complementar a acção dos bombeiros nos teatros de operações. Ao que parece a escolha da GNR para instalar o chamado GIPS deve-se ao facto da Guarda ter uma cobertura nacional e já ter no seu seio uma estrutura logística capaz de acolher até 1500 homens sem necessidade de investimentos complementares.

A mim parece-me um atestado de incompetência aos Bombeiros. Alguma razão o Sr. Ministro terá, já que todos nós assistimos, verão após verão, a tristes exemplos no combate e que apenas se devem a todos nós. Mas criar no seio da GNR um grupo para combater incêndios florestais e acorrer a sismos cheias etc., pressupõe um investimento em meios e formação que na estrutura dos Bombeiros seria muito menor.

António Costa conseguiu a proeza de ter um quase unanimismo nas opiniões relativas a esta questão. Todos estão contra, inclusivamente a GNR, o que se compreende. Parafraseando Duarte Caldeira, o tempo irá demonstrar que esta não é a melhor solução.

Ainda segundo o Ministro, Portugal tem dois problemas de segurança interna que são os incêndios florestais e os acidentes rodoviários. Na minha modestíssima opinião existem mais na esfera da administração interna como por exemplo a falta de pessoal especializado e imediatamente disponível, em todo o socorro pré-hospitalar. O Estado neste aspecto demite-se das suas responsabilidades. Com esta atitude o Estado descura nomeadamente o socorro nos acidentes rodoviários, "grave problema de segurança interna", mas especialmente na vulgar doença súbita do dia-a-dia. Morre seguramente mais gente nesta área fruto de atrasos ou incompetência dos voluntários (que fazem o que podem) do que nos acidentes rodoviários. Como é óbvio as imagens captadas pelas TV's nos diversos acidentes chocam muito mais.

Não seria mais vantajoso para Portugal a criação dos GIP's em todos ou quase todos os CB's de Portugal e com isso assegurar uma resposta mais eficaz as imensas solicitações que todos os dias recebemos nos Corpos de Bombeiros? Não seria possível escolher de entre os bombeiros profissionais que passaríamos a dispor de pessoas capazes em termos técnicos e físicos para integrar equipas disciplinares de socorro? Não seria isso mais barato e polivalente?

Portugal necessita de uma rede básica de bombeiros profissionais capaz de lidar com todas as situações "corriqueiras" de todos os dias. Os voluntários que temos terão de servir para complementar a acção daqueles e para os fenómenos sazonais e ocasionais, como são o caso dos grandes incêndios florestais, dos sismos e das cheias.

O Ministro que visite a Serra da Estrela e vá ver o que o grupo da GNR responsável pelo resgate anda a fazer durante as estações mais quentes do ano. Será que todo o treino que têm é realmente necessário para as situações que têm? Qual é o custo desse grupo por ano e as actividades que realmente desenvolvem e quantas situações resolvem sem a ajuda dos bombeiros?

sábado, dezembro 03, 2005

Para João Marques.


Meu querido João Marques,

Peço-lhe que me perdoe por esta coisa horrível. Ele não parava de andar para cima e para cima. Sei que me disse que não queria ver o resultado.
Fico muito satisfeito por saber que não gostam nada de si! Será que não foi a tempo de ensinar o seu sequaz a votar?
Lamento ter escrito “João Marques”, quando afinal você prefere “CODIS”: mas, sabe que já ando a treinar para o futuro.
Quando for ao quartel a Viseu, posso fazer-lhe uma visita?

sexta-feira, dezembro 02, 2005

A minha mudança no fumo.


Esta minha mudança, da marca das cigarrilhas, deve-se ao facto de eu ter andado meio esquecido, meio alucinado. Confesso, que tinha dias em que só dava por mim na noite com o jipe do serviço… Que desgraça, as outras cigarrilhas davam cabo de mim!
Causavam-me um transtorno tão grande que até me chegava a perder nas minhas funções de chefão. Andava esquecido, derrubado, o fumo causava-me um entupimento tão grande que não conseguia falar nada de jeito.
Bem, mas agora, sinto-me mais leve ou leviano, não sei… Estas novas cigarrilhas “Café Creme” parece que me tiraram um peso grande de cima, parece até que ando a perder funções ou poderes, não sei… É como se estivesse a entrar numa vida nova.
Queria pedir desculpa aos meus amigos mais próximos por todo o mal que lhes fiz, porque só hoje reparei que vinha das cigarrilhas.
Espero, ainda, que este pedido venha a tempo e que todos os males sejam reversíveis porque preciso de vocês, preciso de vocês e preciso de vocês…

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Falecimento .

É com uma enorme tristeza que vos informo do falecimento do Adjunto de Comando no Quadro de Honra dos Bombeiros Voluntários de Vouzela, o Sr. Paulo José de Figueiredo.
O funeral realiza-se amanhã, dia 2 de Dezembro, pelas 15:30 da Igreja Matriz da vila de Vouzela para o cemitério local.
Lamento profundamente este acontecimento, apresentando aqui as minhas condolências à família.

Os investimentos...

Durante a Sessão pública de apresentação da Iniciativa COTEC sobre incêndios Florestais, o Ministro António Costa defendeu que era necessário investir na prevenção dos incêndios e profissionalizar, não de uma forma total, alguns intervenientes no combate aos fogos.
Concordo plenamente, que não é necessário profissionalizar a totalidade de bombeiros existentes uma vez que não seria necessário tantos recursos humanos de forma permanente.
O que acho realmente importante e urgente é a profissionalização de um grupo de bombeiros, os tão falados GIPES, em todos os corpos de bombeiros do país. Se estes grupos forem criados é aumentada, e muito, a capacidade de resposta, colocando-os no terreno em prevenção, mantendo-os constantemente em patrulhamentos vamos conseguir colmatar os incêndios numa altura em que estes estão a iniciar, numa altura em que estes ainda são pequenos e controláveis com pouco esforço.
Se conseguirmos detectar e chegar ao local de um incêndio de forma rápida, este nunca vai tomar grandes proporções, logo não vão ser necessários tantos recursos humanos. Neste ponto de vista, concordo plenamente que os grandes investimentos devem ser direccionados para a detecção, vigilância e prevenção uma vez que são estes os problemas radicais.
Penso também que um bom investimento seria na criação de mais brigadas heli transportadas, uma vez que estas conseguem chegar de forma muito rápida ao incêndio impedindo assim a sua violenta propagação.
Se a colocação de meios no terreno for rápida, os incêndios nunca chegam a ser “grandes” logo não vamos precisar de andar dias e dias com recursos humanos esgotáveis.

O INEM anda manco...

Falando novamente nas guerrilhas invejosas INEM / Bombeiros, apetece-me tocar num ponto bastante sensível relativamente aos ditos profissionais do INEM.
Quando falo em profissionais do INEM, quero englobar os operadores e os TAE.
TAE porque têm que ser diferentes dos TAS dos Bombeiros, já que não o são de forma profissional, são diferentes no nome.
Quer-me parecer que as ambulâncias que estes TAE tripulam andam sempre fora de lei.
Será que os Sr`s do INEM desconhecem a secção III do regulamento de transporte de doentes que fala dos tripulantes e sua formação?
Ora vejamos:

25 — Ambulâncias de socorro — tipo B:
25.1 — A tripulação das ambulâncias de socorro é constituída por três elementos, sendo um simultaneamente o condutor.
25.2 — Pelo menos um dos elementos da tripulação deve possuir obrigatoriamente o curso de tripulante de ambulância de socorro, ministrado pelo INEM ou por organismos por si reconhecidos como idóneos, que assume a chefia da tripulação e não pode exercer a função de condutor.
25.3 — Os dois outros elementos devem ter, pelo menos, o curso de tripulante de ambulância de transporte.

Já para não dizer que os TAE não existem na lei, porque não vale a pena, uma vez que a história de TAE serve apenas de máscara colorida, quer-me parecer que nunca uma ambulância dos profissionais INEM anda com 3 elementos.
Será que estes valem por 2?
Será que andam a poupar no socorro?
Não sei qual a resposta correcta. Certo é, que sempre que podem os nossos bombeiros cumprem o regulamento e completam a tripulação da ambulância, respondendo assim de forma ágil e eficaz ao socorro pré – hospitalar.